sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Educação com afeto na pedagogia do amor


No caminho da sistematização sobre nossas práticas pedagógicas e pastorais, realizamos alguns encontros, em forma de bate-papo, debatendo em nosso programa de rádio cujo lema é a “Educação, serviço à Vida”.
Recentemente tivemos a oportunidade de pautar aquilo que faz parte do cotidiano no Colégio São José, o aspecto da “Educação no Afeto”, com o enfoque dado pela Pedagogia do Amor. Assim, durante as entrevistas que realizamos, frisamos alguns estudos e reflexões nessa área, fundamentados em bases teóricas sérias, que perpassa desde a psicologia transpessoal à inteligência emocional.

Enquanto aplica-se à pedagogia, alguns autores afirmam que desenvolver isso significa alterar as práticas de sala de aula incentivando a afetividade na relação de educandos e educadores e entre seus pares, com o objetivo de criar um ambiente de bem-estar na escola que busca melhorar o ensino-aprendizagem.
É fato que nossa escola acredita na força que move a ação humana para um fecundo aprendizado, o amor. Por conseguinte, há muitos críticos que não endossam essa prática, dizendo-se construtivistas, embora na prática Piaget não fora ainda entendido por estes e nem sua teoria.
Desconhecendo o caráter deste embasamento, que não se reflete em qualquer ambiente escolar, há quem não crê nesta forma de educação, estruturante e libertadora, e atribui à “pedagogia do afeto” uma aplicação simplista, pouco a ver com sua matriz teórica.

Usar por usar certa definição para reforçar uma ideia difusa não tem sentido algum. Por isso, na prática, a educação tem esse papel transformador na vida de quem aprende ensinando e ensina aprendendo, com afeto e uma relação pessoal. Educadores amigos e ambientes agradáveis são sempre buscas e projetos que deveriam ser aplicados na escola. Mas, como poderíamos medir o amor ou sua forma de aplicação? Neste aspecto, é impossível dizer se funciona ou não.
Nossa prática busca centrar-se na pessoa humana e, por isso, não devemos desprezar a condição que esta pessoa nos vem. Portanto, a sensibilização (pelo afeto) se constitui também como uma importante ferramenta para fundamentarmos nosso trabalho enquanto educadores/as para além da própria escola, para a vida.
Mas, o que estamos querendo afirmar? O afeto não é um utilitário que serve como um antídoto ao fracasso da formação escolar no sentido de transmitir conhecimentos da cultura universal e desenvolver o raciocínio analítico e a curiosidade dos educandos. Não se justifica a crítica que o fracasso técnico pode ser resolvido apenas com amor, ou que se esconderia camuflado em uma causa nobre de dar e receber afeto. A prática pedagógica, neste sentido, é o estímulo, junto com o ambiente adequado.

Escola, Igreja e família devem persistir em formar cidadãos, diferentemente do que a grande mídia e a publicidade fazem ao formar consumistas. Pois, segundo reflete Frei Betto como grande educador, referindo-se a este sistema de mídia:

“o sistema quer formar consumistas. Daí porque muitos jovens hoje estão fixados em quatro ‘valores’: poder, dinheiro, beleza e fama. Quanto maior a ambição, maior o buraco no coração. E quanto maior o buraco no coração, maior o número de farmácias em cada esquina, para tentar cobrir a frustração. Estamos indo para a barbárie, se continuar predominando como paradigma dessa pós-modernidade incipiente que estamos entrando, o mercado, a mercantilização de todas as dimensões da vida”.


Não podemos ser maniqueístas ao pensar que com o afeto, ou o amor, estaríamos alienando o/a educando/a... antes disso, o/a educador/a deve também preparar o terreno na mente e no coração do educando/a para transmitir o conhecimento e auxiliá-lo no seu desenvolvimento integral.

O Ensino não pode alienar as mentes, mesmo ao pretender formar o "cidadão crítico e consciente". Ou seja: a pessoa pode aprender desenvolvendo bons hábitos, educada para o bem comum, para os valores humanos, cristãos, cidadãos e é possível fazer isso criando um ambiente amoroso em sala de aula.
Nossa missão deve ser muito bem compreendida tanto pelo/a educador/a quanto pelo/a educando/a no sentido de haver colaboração e não uma “doutrinação”. Sim, precisamos ainda crescer e melhorar muito, mas seguimos numa boa direção. Já colhemos muitos bons frutos de educandos/as que passaram pelo Colégio e continuaremos a semear.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A importância da Pastoral na Educação


Promover a Pastoral na Educação tem sido cada vez mais importante no que merece particular atenção devido às exigências sempre maiores da formação para os valores em nossa sociedade. Primeiramente, pelo caráter de reflexão e ação, próprios dessa dimensão, onde o educador cristão pode descobrir formas de evangelizar através de processos educativos. É também necessário considerar que o compromisso com a educação transcende os limites da escola. A reflexão apóia-se com as práticas, ou vivências, nas múltiplas formas de educar, de modo particular nos projetos de reeducação dos próprios educandos e também dos educadores.
 
Em nosso jeito próprio e complementar da Pastoral, Rubem Alves acrescenta:




lembrem-se de que vocês [educadores] são pastores da alegria, e que a responsabilidade primeira de cada um/a é definida por um rosto que lhe faz um pedido: ‘Por favor, me ajude a ser feliz...”
(in: A alegria de ensinar. 3. ed.São Paulo: Ars Poética,1994.)


A ação Pastoral na Educação é uma forma de presença evangelizadora da Igreja no mundo da escola, possibilitando, por meio de processos pastorais e pedagógicos, dinâmicos e criativos, o encontro das pessoas com os valores do Reino de Deus. Logo, trata-se de uma reflexão e ação conjunta que questiona criticamente, à luz dos valores evangélicos, a Educação em si, os processos educativos e as estruturas das instituições e movimentos de Educação, bem como a vida e ação dos educadores: pais, professores, comunicadores, formadores de opinião e outras pessoas que influenciam direta e indiretamente a formação humana. Isso tem uma outra definição, e complementa-se na base do corpo escolar, em termos de práxis.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

"A missão de Educar na Fé para a Vida"


Meditemos na seguinte frase:

Nenhuma criatura será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Jesus, nosso Senhor.



Assim escreveu Paulo em sua Carta aos Romanos 8, 31b-39:

Irmãos:
Se Deus é por nós, quem será contra nós? 
Deus que não poupou seu próprio filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele? 
Quem acusará os escolhidos de Deus? 
Deus, que os declara justos? Quem condenará? 
Jesus Cristo, que morreu, mais ainda, que ressuscitou, e está, à direita de Deus, intercedendo por nós? 
Quem nos separará do amor de Cristo?
Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? 
Pois é assim que está escrito: 'Por tua causa somos entregues à morte, o dia todo; fomos tidos como ovelhas destinadas ao matadouro'. Mas, em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou!
Tenho a certeza que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os poderes celestiais, nem o presente nem o futuro, nem as forças cósmicas, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor.
 


Em nosso Programa de Rádio, “Educação, Serviço à Vida”, desta Quinta-feira, dia 31 de outubro, refletimos acerca de um importante tema: "A missão de Educar na Fé para a Vida"

A entrevistada deste Programa foi Gerusa Nunes Tanelo (Educadora do Ens. Fundamental no CSJ. Iniciamos uma conversa sobre alguns importantes enfoques: o Seguimento de Jesus (Mestre), com a importância do discipulado (ser discípulo, aprendiz); e também suas experiências feitas no Colégio (entre educadores/as e educandos/as). Aprofundamos exemplos práticos sobre a importância dos valores na família e na escola = complementamos quais os desafios dos pais e mestres na vida cotidiana.


Durante a “entrevista”, ou “Papo de Escola”, comentamos sobre nossas origens familiares e o que nos encanta na Educação. Profª. Gerusa comentou porque “se tornou” professora/educadora e o que mais lhe agrada no seu trabalho. Ficamos ainda para aprofundar em outros momentos quais nossos maiores desafios e projetos na escola.

Lembramos a todos/as educadores/as colegas que é possível encantar-se durante os nossos processos de Formação, enquanto formandos e formadores, no ensinamento de Jesus na Escola da Vida. Neste aspecto, refletimos ouvindo e nos inspirando a partir de outras fontes, com as seguintes músicas:

1ª. Educação Sentimental ~ Kid Abelha = conscientes que precisamos educar também nossos sentimentos para a viver melhor...

2ª. Metamorfose Ambulante ~ Raul Seixas = às vezes nos sentimos uma “Metamorfose ambulante” (Além da nossa própria forma = descaracterizada não apenas física, mas emocional, existencial...); e

3ª. A Alma e a Matéria ~ Marisa Monte = necessitamos permanecer ligados/as e não divididos, a partir do que nos integra como pessoas humanas, na essência (Alma e Matéria): espiritual, material, carnal, biológico...


Neste momento de Espiritualidade, oramos à Deus, com Santa Paulina, pedindo as graças, por sua intercessão junto à Jesus:

Ó Santa Paulina, que puseste toda confiança no Pai e em Jesus, e que, inspirada por Maria, decidiste ajudar o povo sofrido, nós te confiamos a Igreja que tanto amas, nossas vidas, nossas famílias, a Vida Consagrada e todo o povo de Deus.
(Momento de pedir por uma graça...)

Santa Paulina, intercede por nós junto a Jesus, a fim de que tenhamos a coragem de lutar sempre na conquista de um mundo mais humano, justo e fraterno. Amém.

Demos Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Na missão, Jesus nos aponta caminhos...


No caminho da Missão, Jesus visita Maria e Marta
(Lc 10,38-42)

Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa.

Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa.

Ela aproximou-se e disse:Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar! O Senhor, porém, lhe respondeu: Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.



Mês Missionário = caminhando com Jesus


·        Contribuições da reflexão de Pe. Marcelo Gualberto Monteiro
- secretário nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé.

Tema:
Juventude em Missão.

Lema:
“A quem eu te enviar, irás”
(Jr. 1, 7b)


Mais um Mês Missionário. Como é bonito ver toda a Igreja refletindo sobre a juventude. Uma primavera missionária e juvenil nos leva a acreditar em uma juventude protagonista da missão pelos quatro cantos do mundo. Com o tema “Juventude em Missão”, as Pontifícias Obras Missionárias (POM), juntamente com toda a Igreja, apresentam uma proposta de reflexão missionária para vivenciar o Mês das Missões 2013.
Você sabe o que é o Dia Mundial das Missões?
Segundo as palavras de Paulo VI, é: “Genial intuição de Pio XI”. “Um grande acontecimento na vida da Igreja”. “Uma oportunidade de fazer sentir a vocação missionária à Igreja, aos nossos irmãos no episcopado, ao clero, aos religiosos e religiosas e a todos os católicos”. “Uma poderosa e insubstituível ajuda às missões”. “Um afervoramento da fé tanto nas Igrejas de antiga fundação, como nas jovens Igrejas”. “O grande dia da catolicidade”. E João Paulo II afirma: “Exorto todas as Igrejas e os pastores, os sacerdotes, os religiosos e os fiéis, a se abrirem à universalidade da Igreja, evitando toda a forma de particularismo, exclusivismo, ou qualquer sentimento de auto-suficiência” (RMi 85). O Dia Mundial das Missões é viver juntos, fraternalmente e sem fronteiras, a alegria de ser filhos de Deus com um real universalismo missionário em colaboração intensa e espiritual e generosa ajuda material.

Mas afinal, como surgiu o Dia Mundial das Missões?
O Dia Mundial das Missões nasceu de um clima muito favorável à causa missionária. No ano de 1922 foi eleito Papa o Cardeal-arcebispo de Milão, Aquiles Ratti, que tomou o nome de Pio XI. Seu ardor missionário era, por todos, conhecido e, por isso mesmo, esperava-se dele um grande impulso à missão.
Logo no início de seu pontificado nomeou o primeiro bispo indígena, Mons. Roche, inaugurando, assim, uma série de prelados nativos de rito latino no século XX.
Neste mesmo ano celebrava-se o primeiro centenário da fundação da Obra Missionária da Propagação da Fé. Pio XI declarou-a Pontifícia, junto com a Obra da Infância Missionária e a de São Pedro Apóstolo, confirmando-as e recomendando-as como instrumentos principais e oficiais da cooperação missionária de toda a Igreja católica.

No Ano Santo de 1925 abriu, no Vaticano, uma esplêndida exposição missionária mundial. No ano seguinte (1926) publicou uma Encíclica sobre as missões, “Rerum Ecclesiae”, na qual reafirma a importância e os objetivos missionários programados no início de seu pontificado. Nesse mesmo ano consagrou os seis primeiros bispos chineses.
Oficialmente o Dia Mundial das Missões foi instituído em 14 de abril de 1926, pelo papa Pio XI a pedido do Conselho Superior Geral da Pontifícia Obra da Propagação da Fé.

Fato interessante: Pio XI fez um gesto surpreendente uns anos antes de instituir o Dia Mundial das Missões: Na festa de Pentecostes de 1922, ano em que foi eleito Papa, interrompeu sua homilia e, em meio a impressionante silêncio, tomou seu solidéu e fez passar entre a multidão de bispos, presbíteros e fiéis na Basílica de São Pedro, enquanto pedia a toda a Igreja ajuda para as missões.
No Brasil há mais de 40 anos as POM promovem a Campanha Missionária, celebrada no mês de outubro, destacando o Dia Mundial das Missões (no penúltimo domingo do mês). É uma jornada de fé, uma festa de catolicidade e solidariedade em favor da missão universal da Igreja. É para os cristãos de todo o mundo um renovado convite para agradecer a Deus o dom da fé e um apelo à corresponsabilidade na evangelização hoje e sempre, aqui e em todo o mundo.
No Brasil, as POM sempre elaboram subsídios missionários para serem trabalhado no mês de outubro pelas paróquias e comunidades de todo o país.
O tema gerador normalmente segue a Campanha da Fraternidade do ano corrente elaborado pela CNBB dando a ênfase ao caráter missionário universal do tema, porém nos anos em que acontecem os Congressos Missionários Nacionais, Americanos e Latino-Americanos (CAM – Comlas), a Campanha segue o tema dos Congressos.
Estamos vivendo ainda o ecoar da CF 2013, da Semana Missionária e da JMJ Rio 2013 ambos tendo a juventude no centro de reflexão. Em continuidade a essa proposta, também a Campanha Missionária 2013 destaca a juventude ampliando a temática na perspectiva da missão universal.

Por que Juventude em Missão? Porque não é agora que os jovens serão missionários, mas por que eles fazem parte do processo missionário em curso. O “em” denota continuidade, são os jovens que devem continuar uma caminhada missionária, porém com o foco no mundo e não apenas em nossas comunidades, paróquias ou dioceses.
Com o lema: A quem eu te enviar, irás (Jr. 1, 7b) queremos continuar a reflexão da CF 2013 que vê em Isaías, um jovem profeta que se pôs a disposição de Deus para a missão, mesmo se sentindo pequeno demais para tal confiança, “Eis-me aqui, envia-me” (Is. 6, 8).
Suponhamos que, como o profeta Isaías, a nossa juventude disse sim à missão, mas este sim é para onde? Aí entra a proposta da Campanha Missionária 2013 em sintonia, claro, com a JMJ Rio 2013: “A quem eu te enviar, irás” (Jr 1, 7b) a todo o mundo não só ao meu grupo, minha comunidade, “Ide e fazei discípulos a todos os povos”, (Mt. 12, 8).

Queremos que não só os jovens em idade, mas os jovens em espírito, como nos diz o papa Francisco: “Todo aquele que tem Cristo no coração é jovem”, possa olhar para realidade do mundo, a necessidade da Igreja no mundo, conforme ele próprio ressalta em sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2013: “Cada comunidade é, portanto, chamada e convidada a fazer próprio o mandato confiado aos apóstolos de serem suas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os extremos da terra (At 1, 8), não como aspecto secundário da vida cristã, mas como um aspecto essencial: somos todos enviados nas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e nos tornando anunciadores de seu Evangelho”.
Para isso as POM, encarregadas no mundo, de animar o Dia Mundial das Missões no penúltimo fim de semana de outubro, preparam subsídios para esta conscientização missionária: Novena Missionária que inclui, a Mensagem do papa para o Dia Mundial das Missões, preces Missionária para cada domingo do mês de outubro, o DVD com testemunhos missionários, o cartaz e o envelope para a oferta. Todo material é distribuído a todas as paróquias do Brasil e pode também ser encontrado gratuitamente pelo seguinte site:
www.pom.org.br

Portanto, que esta juventude brasileira bem como toda Igreja do Brasil, animada pela JMJ Rio 2013, possa fazer valer todo o esforço que fez para participar daquele grande evento, e inicie de fato, a missão. Na JMJ Rio 2013 fomos enviados pelo Papa Francisco para sermos apóstolos, testemunhas daquilo que vimos e ouvimos nos mais diversos areópagos espalhados pelos rincões deste mundo. Que em nossa missão, sejamos sempre acompanhados pelos Padroeiros universais das Missões, Santa Terezinha do Menino Jesus e São Francisco Xavier.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mês da Bíblia: no caminho da Pastoral



Compilação de textos, imagens e reflexões partilhadas pela Rede, com auxílio nas reflexões de Dom Orlando Brandes (arcebispo de Londrina-PR).


Vivemos um momento todo especial para nossa vida cristã, de filhos e filhas de Deus, que é o mês da Palavra de Deus revelada nas Sagradas Escrituras.
Bíblia é um termo que simboliza uma compilação de vários textos chamados de canônicos (oficiais) pela nossa santa mãe Igreja. Por isso, somos convidados/as na animação pastoral em nossa vida pessoal, familiar, escolar e em sociedade.


ANIMAÇÃO BÍBLICA NA VIDA DA IGREJA
A CNBB lançou o Documento 97 cujo título é: “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na missão da Igreja”. Estamos diante de uma proposta bíblica corajosa que chamamos de “Animação Bíblica de toda a vida da Igreja e da Pastoral”. Passamos da “pastoral bíblica” para uma animação bíblica de toda a Igreja. O que se pretende é colocar a Palavra no centro, respeitar sua primazia como alma do nosso ser e agir cristão.

A Palavra deve ser a inspiração, a seiva, o caminho, o alimento da vida sacramental e pastoral, para evitarmos a sacramentalização e o devocionalismo. Para isso precisamos de três experiências com a Palavra, ou seja, formação bíblica, oração bíblica e anúncio da Palavra. É bom recordar a mensagem conclusiva do Sínodo da Palavra (2008) onde se diz que a Palavra tem uma “voz”, isto é, a revelação divina, tem um “rosto” que é Jesus Cristo; tem uma “casa” que é a Igreja e tem um caminho que é a missão.

Grande ênfase é dada à “leitura orante da Bíblia” (Lectio Divina) através da qual acontece um encontro pessoal com Deus, um relacionamento por Jesus Cristo, seu Evangelho e seu reino. Outra oportunidade privilegiada de encontro com a Palavra de Deus é a homilia por ocasião das celebrações litúrgicas. Maior atenção deve ser dada à celebração da Palavra onde não há sacerdotes para celebrar a missa.
Para acontecer a animação bíblica de toda a vida da Igreja, o Documento faz algumas propostas novas, a saber: tornar a Bíblia o livro principal da catequese, realizar um ano bíblico, promover congressos bíblicos, criar comissões bíblicas em todos os setores da Igreja, oferecer subsídios bíblicos, rezar a Liturgias das Horas ou ao menos os salmos com o povo.

A animação bíblica de toda a vida da Igreja deve facilitar o acesso à Bíblia nas famílias, preparar os leitores (ministros da Palavra) realizar retiros bíblicos e ter escola bíblica nas paróquias, fomentar o profetismo e o ecumenismo. Semanas bíblicas, maratonas, dia da Palavra, simpósios, seminários bíblicos e outras criatividades especialmente na internet são bem vindas, como também educar para o silêncio, a escuta e o amor à Palavra.
A dimensão bíblico-social é fundamental para o profetismo, a promoção dos direitos da pessoa, a reconciliação, a paz, a política. Especial atenção deve ser dada aos pobres, migrantes, doentes, defesa do meio ambiente. Os jovens, os encarcerados sejam atraídos a conhecer e viver a Palavra.

Os meios mais comuns para a animação bíblica são os círculos bíblicos, os grupos de reflexão, as CEB’s, os meios de comunicação social, as missões populares. É preciso dar uma dimensão bíblica a todos os eventos celebrativos como: novenas, procissões, romarias, reza do rosário, via-sacra, religiosidade popular, acólitos, infância missionária, movimentos eclesiais. Sem a Palavra a iniciação à vida cristã não acontece. Nos seminários sejam oferecidos, além dos estudos bíblicos, as leituras orantes da Palavra, para que nossos vocacionados adquiram um coração bíblico. Antes de ser mestra do anúncio, a Igreja deve ser “mestra da escuta” da Palavra de Deus.

Percebemos que a CNBB quer alavancar o amor à Palavra de Deus e dar-lhe a primazia que merece. Hoje é ainda muito atual a pergunta: “Que fizeste com minha Palavra” (Bernanos). Em nossos tempos falamos de iniciação cristã, nova evangelização, missão permanente, necessidade do profetismo e do ecumenismo. Para tudo isso acontecer há uma condição: o amor, o conhecimento e a vivência da Palavra de Deus.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ESCOLAS CATÓLICAS: DIANTE DE UM NOVO TEMPO


(Anotações de Reinaldo João de Oliveira)

Este encontro aconteceu em Curitiba-PR nos dias 08 e 09 de Julho de 2013. Teve ampla participação de várias Escolas Católicas do Brasil, com mais de 100 pessoas participando, representando mais de 50 Congregações Religiosas que exercem a função de Educar, através de escolas confessionais.
Foram várias reflexões suscitadas à luz do tema supracitado, com o acréscimo destaque de estarem todas em consonância e em realidades contextualizadas, “diante de um novo tempo”.
As Palavras iniciais de acolhimento foram demonstradas pela coesão dos assessores desafiados à fazerem uma leitura interdisciplinar, em consonância com a teologia em diálogo. As abordagens sobre este aparato que, de forma lúcida, foi assumido como o desafio, foi trabalhado com pertinentes críticas aos assuntos da atualidade da educação brasileira especificamente, focando no que seriam diferenciais das Escolas Católicas, conforme apresento a seguir.

Os temas interligados sequencialmente a partir da ordem de apresentações:

Escola Católica em Pastoral
Assessoria de José Carlos Oliveira

Ideia inicial: um encontro apenas para escolas confessionais Católicas.
Foco da reflexão: o papel das instituições educativas (papel transformador)
Elementos para pensarmos:
·    Jesus (de Cafarnaum à Jerusalém = para concretizar sua missão, percorreu um caminho que nos mostra hoje qual deve ser o nosso): a Paz era sua mensagem, testemunho e invocação = que nos torna responsáveis como seguidores/as...
·    Seguindo aprofundando: o termo “Escola em Pastoral” é algo dinâmico (Medellín já acenava o contexto de escolas para os mais empobrecidos).
·    A Práxis serviu como instrumental de leitura da realidade à luz da Palavra (Escrituras) e do Magistério (do que cremos), além da Tradição.
·    O que é uma Escola Católica (Como se define? Pra que existe?)?
·    Terceirização das funções dentro da escola (motivações: envelhecimento de religiosos/as, mudança de época...);
·    O que é? Para quê? Como era? Como está? Como será?
·    Importantíssimo refletir hoje sobre: “identidade” e “missão
·    Citação de que “os teólogos” afirmam que: - “Jesus anunciou as Boas Novas do Reino, mas não fundou nenhuma instituição” (Mas, não nomeou os autores, e nem especificou que não são todos os que sustentaram e continuam afirmando essa teoria...) = continuando, terminou por citar que as fundações couberam às bases e pilares (Pedro e Paulo = evidente que tiveram outros além destes “prediletos pela história cristã mais contada, escrita”).
·    O que significa o Cordeiro (sentido) na missão, vocação...?

Vídeo transmitido em partes com a reflexão de Claudio Pastro (Artista que compõe pinturas Sacras na Basílica de Aparecida e que fez a arte do nosso Encontro):
·    O valor da arte no processo educacional (a “imagem”) = nossa escola está preparada para nos educar pela imagem (pelos ícones, principalmente), dando significado às imagens?
·    Eventos da Igreja deste nosso momento presente, citados: Ano da Fé / 50 anos do Vat. II / JMJ / Encontros Teológicos / Encíclica Lumen Fidei = Luz da Fé.

Temas desenvolvidos à luz destes:
·    O Apelo à reflexão; Resposta às necessidades destes tempos (sinais); Enfrentamento aos novos desafios; Aprofundamento da fé; Retorno às fontes; Pastoral orgânica (com a Igreja Particular e local); Valorização da ação apostólica...

Rememorando:
·    Documentos da A.L (Medellín – Colômbia, 1968 = Libertação; Puebla – México, 1979 = Comunhão e Participação; Santo Domingo – Rep. Dominicana, 1992 = Inculturação; Aparecida – Brasil, 2007 = Missão.

Contextualizando:
·    A objetividade do plano de aula na “arte de educar” (analogia de uma escola em pastoral pelo próprio testemunho; no atendimento aos educandos/as e seus pais/mães, familiares) = pela forma de ser (postura);
·    O que é? Instituição à serviço da Igreja = confessional.
·    Identidade filosófica e institucional: Instituição social, histórica e com credibilidade; Instituição de fé e de razão (cultura); Instituição credenciada pela Igreja; Espaço de Ação Apostólica; Responde a um carisma; Iniciativa privada.
·    Finalidade: Formação integral = integralidade; Implementação de um currículo evangelizador; Propulsora do saber acadêmico; Campo de ação pastoral = apostólica; Propagação dos valores do Reino; Revelar o Ressuscitado; Ação Profética (atitude do anúncio, denúncia e testemunho).
·    Passado: Proprietária de um saber prosélito; Centralidade de governo-autoritário; Disciplinada; Ritualista; Conteudista; Uniformalista = forma; Dogmática e absoluta; à serviço de uma sociedade soberana; Sagrado como Supremo.
·    Presente: Desafiada; Crise de identidade/carisma/especificidade; Dificuldade em gestão – pessoal; Apelos sociais; Novas tecnologias educacionais e pastorais; Articulada com a Igreja Local e Particular; Espaço de evangelização, nos valores do Reino; Preocupação em manter o diálogo: Fé e Ciência.
·    Futuro: Proatividade na Ação apostólica; Fidelização nas parcerias; Abertura ao Espírito; Escola = lugar celebrativo; Transcendência curricular; Comunhão/Missão; Criatividade; Humanística; Identificar-se com o Divino.
·    Educar: na transcendência, através da Arte (e outros tipos de linguagem, na nossa Ação pastoral e apostólica); Apresentação da beleza de Deus; Celebração da Vida; Comprometimento da Fé – Lumen Fidei (à Luz da Fé); Valores humanos e cristãos; Diálogo...
·       Escola em Pastoral: É ser propulsora = a) uma Igreja pobre para os empobrecidos; b) Primazia da humildade: somos todos “franciscanos”; c) estar imerso no povo - solidariedade; d) Não ter medo da ternura e da misericórdia; e) O verdadeiro poder é o serviço; f) A fé se propõe, não se impõe; g) A Igreja/Escola não é organização humanitária – ONG e Empresa; h) Dizer não ao pessimismo; i) Saber sorrir e ter esperança; j) importância da unidade; l) A evangélica coragem da sinceridade; m) Comunidade/fraternidade educativa; n) valorização dos leigos na ação apostólica.
·    Escola e Igreja = uma é extensão da outra... A Igreja nos educou e nos educa através da Liturgia: se a liturgia não é profunda, tranqüila, que apresente a verdade com base profundas, apenas se torna um show a mais... E que não sejamos apenas um show a mais. Mas, que nossa liturgia revele a beleza da vida!
·    Educando pela Arte, pela Imagem, pelas relações, na imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26); à Luz do Amor-Ágape.

2º Tema:

O papel dos Educadores Leigos na Escola Católica
Assessoria de Cesar Kusma Teologia PUC/2013

Aproximando-se do tema

·       O que se quer com esta temática (objetivos e desafios...; Importância e relevância...; Um novo foco diante das novas questões sociais...)
·       O papel dos educadores católicos como extensão dos braços da Igreja...
·       Autonomia que os/as educadores/as leigos/as têm para atuar...
·       Uma primeira aproximação histórica com a questão dos Leigos...
·       O termo Leigo (Laos) – tem um contexto e um desafio: - a novidade de sua condição que surge com o Vaticano II; - Leigos – um verdadeiro apostolado – chamados a servir...

E os educadores leigos? Quem são e qual a sua especificidade, vocação e missão?

·       Todo/a leigo/a Cristão possui o munus (Sacerdotal, Profético e Régio);
·       Opção por Jesus (Qual Jesus?); Fazer as opções que ele fez...; Aceitar as conseqüências da opção feita;
·       Desafios da Educação hoje: Educar e ser educador numa sociedade global e plural; as novidades atuais e os desafios: o desejo de “ser mais”; o desejo de “ter mais”; o “isolamento” – “fechamento”; o “risco” e a “violência”; vantagens e novas conquistas.
·       Temos uma cultura – ainda – tecnicista.
·       A questão religiosa – onda, expressões, crescimento, crise, “distúrbio”, ou o que?
·       A educação integral – uma oportunidade que toca Educadores/as Leigos/as;
·       O crucificado não foi crucificado por falar das borboletas e das flores do campo, mas por questionar porque aqueles homens e mulheres que cuidavam das borboletas e cultivavam as flores do campo não eram humanizados (não possuíam dignidade humana).
·       Uma sociedade não humanizada (e não humanizadora) acaba com as propostas daqueles que querem (desejam) uma sociedade humanizada.
·       A ação dos cristãos/ãs e a ação católica – na sua especificidade, na escola Católica e além da Escola... uma educação libertadora – uma proposta para a América Latina (Medellín, 1968).
·       O trabalho específico dos Educadores Leigos – um “jeito” próprio de ser e fazer.
·       Um modo de viver, e no viver, dar testemunho do que sente e espera.
·       O sujeito da evangelização na escola já está ali presente... a começar pelos/as leigos/as: valorizando cada um/a. Pois, ninguém pode arrogar-se de olhar ao céu pedindo que envie mais operários para a messe, se não sabe valorizar os próprios sujeitos que ali estão (deu exemplo através de uma estória contada: um Rei que envia um Jovem/ em um cavalo para repassar uma Mensagem à outro Rei, junto com três diamantes...).
·       Um serviço de apostolado – na construção do Reino de Deus, um Reino de justiça, de amor e de paz.
·       Um trabalho também de Igreja, realizado por aqueles que também são Igreja, pois têm uma vocação específica e realizam com força e esperança a missão que lhes foi confiada.
·       É um serviço necessário e indispensável que se realiza na verdade, e na verdade faz com que o mundo se desenvolva na caridade.
·       Sempre temos que ter um olhar de esperança, para servir; e, no servir, mudar...

Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo” (Filipenses 2,5).


3º Tema:

As transformações contemporâneas e o impacto na educação
Assessoria de Ricardo Tescarolo

Começou sua reflexão citando Paul Ricouer (na perspectiva niilista-materialista) e, depois, cita Paulo Freire (em sua última entrevista, no “youtube”), com seus dizeres: “eu queria ver as marchas dos desempregados...” (contextualizando com as marchas e protestos no momento que acompanhamos pelo Brasil = junho/julho de 2013).
Fazemos tanto e damos tão pouca atenção com quem está do nosso lado... Sua análise seguiu citando a hermenêutica que devemos aplicar, ou seja: - temos que discernir o que está acontecendo... (cf. Mateus 16, 1-4)
Em comentários interligados o assessor busca situar seu pensamento em forma de comparação com outros pensadores em questão:
Metamorfose: “A lagarta já morreu, mas a borboleta ainda não nasceu”
Nunca se sabe se vai nascer uma borboleta, ou uma mariposa.
Que estrutura nós abandonamos e que estruturas mantemos?
Cita Franz Kafka: o homem e a barata (para este processo de metamorfose).
Cita um livro mais conhecido e comentado como “Espiritualidade para céticos” (in: Robert C. Solomon, Ética e Excelência).
Outra citação de Zygmunt Bauman:
“O avassalador sentimento de crise de sentido de igual forma por filósofos, teóricos e educadores (...) tem pouco a ver com as faltas, os erros e a negligência dos pedagogos profissionais, tampouco com os fracassos da teoria educacional.”
Outra citação que segue ao comentário anterior:
“Não se pode conhecer a si mesmo como convém senão sob a condição que se tenha sobre a natureza um conhecimento, um saber amplo e detalhado. Conhecimento de si e conhecimento da natureza estão absolutamente ligados.” (Michael Foucault, Hermenêutica do Sujeito)

É preciso “Cuidar de si para poder cuidar do outro”
(Análise e reflexão durante as anotações: Reinaldo João de Oliveira)
O que faremos com nossa capacidade crescente de interferir na biosfera e na evolução do gênero humano?
Saberemos enfim reunir os povos?
Entramos numa corrida entre educação e catástrofe... há uma proposta de sustentabilidade bíblica em Dt 30, 19:
“Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam.”

Segue uma das melhores definições de utopia, na opinião do assessor:- “o inédito viável” (por Paulo Freire); mas que, na conclusão da reflexão, apesar desse inédito viável, precisam ser superadas as “situações limites”.