No caminho da sistematização sobre nossas práticas pedagógicas e
pastorais, realizamos alguns encontros, em forma de bate-papo, debatendo em
nosso programa de rádio cujo lema é a “Educação, serviço à Vida”.
Recentemente tivemos a oportunidade de pautar aquilo que faz
parte do cotidiano no Colégio São José, o aspecto da “Educação no Afeto”, com o
enfoque dado pela Pedagogia do Amor. Assim, durante as entrevistas que
realizamos, frisamos alguns estudos e reflexões nessa área, fundamentados em
bases teóricas sérias, que perpassa desde a psicologia transpessoal à
inteligência emocional.
Enquanto aplica-se à pedagogia, alguns autores afirmam que desenvolver
isso significa alterar as práticas de sala de aula incentivando a afetividade
na relação de educandos e educadores e entre seus pares, com o objetivo de
criar um ambiente de bem-estar na escola que busca melhorar o
ensino-aprendizagem.
É fato que nossa escola acredita na força que move a ação humana
para um fecundo aprendizado, o amor. Por conseguinte, há muitos críticos que
não endossam essa prática, dizendo-se construtivistas, embora na prática Piaget
não fora ainda entendido por estes e nem sua teoria.
Desconhecendo o caráter deste embasamento, que não se reflete em
qualquer ambiente escolar, há quem não crê nesta forma de educação,
estruturante e libertadora, e atribui à “pedagogia do afeto” uma aplicação
simplista, pouco a ver com sua matriz teórica.
Usar por usar certa definição para reforçar uma ideia difusa não
tem sentido algum. Por isso, na prática, a educação tem esse papel
transformador na vida de quem aprende ensinando e ensina aprendendo, com afeto
e uma relação pessoal. Educadores amigos e ambientes agradáveis são sempre
buscas e projetos que deveriam ser aplicados na escola. Mas, como poderíamos medir
o amor ou sua forma de aplicação? Neste aspecto, é impossível dizer se funciona
ou não.
Nossa prática busca centrar-se na pessoa humana e, por isso, não
devemos desprezar a condição que esta pessoa nos vem. Portanto, a
sensibilização (pelo afeto) se constitui também como uma importante ferramenta
para fundamentarmos nosso trabalho enquanto educadores/as para além da própria
escola, para a vida.
Mas, o que estamos querendo afirmar? O afeto não é um utilitário
que serve como um antídoto ao fracasso da formação escolar no sentido de
transmitir conhecimentos da cultura universal e desenvolver o raciocínio
analítico e a curiosidade dos educandos. Não se justifica a crítica que o
fracasso técnico pode ser resolvido apenas com amor, ou que se esconderia
camuflado em uma causa nobre de dar e receber afeto. A prática pedagógica,
neste sentido, é o estímulo, junto com o ambiente adequado.
Escola, Igreja e família devem persistir em formar cidadãos, diferentemente
do que a grande mídia e a publicidade fazem ao formar consumistas. Pois,
segundo reflete Frei Betto como grande educador, referindo-se a este sistema de
mídia:
“o sistema quer formar consumistas. Daí
porque muitos jovens hoje estão fixados em quatro ‘valores’: poder, dinheiro,
beleza e fama. Quanto maior a ambição, maior o buraco no coração. E quanto
maior o buraco no coração, maior o número de farmácias em cada esquina, para
tentar cobrir a frustração. Estamos indo para a barbárie, se continuar
predominando como paradigma dessa pós-modernidade incipiente que estamos
entrando, o mercado, a mercantilização de todas as dimensões da vida”.
Não podemos ser maniqueístas ao pensar que com o afeto, ou o
amor, estaríamos alienando o/a educando/a... antes disso, o/a educador/a deve
também preparar o terreno na mente e no coração do educando/a para transmitir o
conhecimento e auxiliá-lo no seu desenvolvimento integral.
O Ensino não pode alienar as mentes, mesmo ao pretender formar o
"cidadão crítico e consciente". Ou seja: a pessoa pode aprender desenvolvendo bons hábitos, educada para
o bem comum, para os valores humanos, cristãos, cidadãos e é possível fazer
isso criando um ambiente amoroso em sala de aula.
Nossa missão deve ser muito bem compreendida tanto pelo/a
educador/a quanto pelo/a educando/a no sentido de haver colaboração e não uma
“doutrinação”. Sim, precisamos ainda crescer e melhorar muito, mas seguimos
numa boa direção. Já colhemos muitos bons frutos de educandos/as que passaram
pelo Colégio e continuaremos a semear.